sexta-feira, 17 de setembro de 2010


Domingo dia 19 de setembro as 22h na TV Cultura



Tema: Corpo e intensidade

No mundo de hoje, para alcançar os exigentes padrões de beleza estamos constantemente buscando a perfeição estética, a juventude eterna. Mas o que aquela imagem que vemos refletida no espelho revela? Neste programa, a psicanalista Hélia Borges fala sobre a nossa relação com o corpo e a nossa construção como sujeitos. Como o nosso jeito de ser se expressa no corpo? E como as transformações do corpo mudam o nosso jeito de pensar, de sentir? Também participa deste debate sobre corpo, aparência e saúde o filósofo André Martins, curador desta série do Café Filosófico que vai discutir o futuro do corpo.

sábado, 26 de junho de 2010

Amizade: o outro lado da filosofia

Você lerá neste artigo um esboço de um projeto maior, que terá o objetivo de mostrar a importância do filosofar nos dias de hoje, por incrível que pareça. É senso comum ouvirmos que a filosofia e os filósofos não são desse mundo e que habitam lugares além do humano. A frase mais conhecida é: os filósofos vivem numa torre de marfim, que designaria um mundo ou atmosfera onde intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia-a-dia. Como tal, tem uma conotação pejorativa, indicando uma desvinculação deliberada do mundo cotidiano.       Pois bem. Isso não é verdade. Se não fosse os assuntos humanos a filosofia nem existiria. Sócrates andava pelas ruas de Atenas conversando com as pessoas abordando temas que tocavam diretamente a vida delas. Queria saber, conhecer e indagar sobre o que somos, como vivemos, o que é mais importante na vida, etc. Deste modo, o tipo de saber que buscava não era e nem estava distante das questões que colocamos a nós mesmos nos dias atuais.
      Na verdade, em Sócrates vemos uma prática do pensar que proporcionasse um tipo de sabedoria que conduzisse a algo prazeroso, porém sem desconsiderar o caráter dramático que é existir. E essa coisa boa pretendida poderia estar nas relações que travamos com os outros. Enfim, no diálogo que construímos com as pessoas, sem nenhum desmerecimento a alguém. É daí que emerge um novo modo de filosofar e, também, de viver.
      Filosofia é uma palavra grega originária de duas outras: philo (amizade, amor, respeito) e sóphos (saber, sabedoria). Vemos na história da filosofia um maior destaque ao sóphos, ao saber, ao conhecer teórico e contemplativo, daí a idéia de Torre de Marfim. Nem a idéia de sabedoria é evidenciada. Mas quero concluir com a primeira parte: philo, philia, amizade.
      É a amizade que nos aproxima mais ainda da realidade, dos assuntos humanos, pois nela revela-se a convivência, as olhadas, as escutas, os sabores que a vida na relação com o outro nos oferece. Se assim é, pensar deixar de ser algo meramente transcendente, mas que nos levaria a nos encostar nos odores, nas texturas, nas cores e nos paladares da existência, muitas vezes intraduzíveis e inenarráveis em palavras e conceitos.
      O filósofo apenas faz tentativas, apostas, aproximações, ao ponto de chegar a situações paradoxais e plenas de impasses, pois não pode e nem consegue compreender tudo sobre o que pensa.
      Olhando para nós hoje, falta-nos o tempo, a paciência e o cuidado de ir à praça pública, como Sócrates, para dialogar, pensar, fazer amigos, de maneira que modifique as nossas maneiras de ser e supere as individualidades, ou melhor, os individualismos que nos distancia e forma pessoas violentas, indiferentes, frias e quase desumanas.
      Assim, filosofar é também fazer amigos, é garantir um espaço público que nos transforme e nos abra para a convivência coletiva. A amizade, sem ignorar as tensões humanas, pode ser o caminho para novos modos de vida, para uma verdadeira vida filosófica. Filosofe!
Alonso Bezerra de Carvalho é professor da Unesp.
E-mail: alonsoprofessor@yahoo.com.br
Fonte: http://www.diariodemarilia.com.br/Noticias/84437/Amizade-o-outro-lado-da-filosofia

sábado, 29 de maio de 2010

TEXTO PARA FILOSOFAR COM CRIANÇAS

O homem virtuoso


Por,
Rosângela Trajano

      Todas as manhãs o homem saía cedo de casa com um saco de pães nas costas. Ele dava um pão para cada pobre que encontrava.
      Quando o homem encontrava um bichinho ferido levava para casa e cuidava dele.
      Se alguém pedisse para o homem fazer uma coisa má ele dizia que não. Desde criança aprendera a fazer o bem.
      Todas as noites o homem trazia para casa uma criança que não tinha onde dormir.
      Como o homem não tinha nome passou a ser chamado de “o homem virtuoso”, de tanto fazer o bem. Ganhou um apelido digno da sua bondade.

Exercício de compreensão:
1) O que o homem fazia de bom às pessoas?
2) Alguém já lhe pediu para fazer uma coisa errada ou má? O que você fez?
3) O homem recebeu o apelido de virtuoso. O que é uma pessoa virtuosa?
4) O que é virtude?
5) Você se acha virtuoso(a)?
6) Desenhe uma pessoa praticando um gesto virtuoso.
Professor(a) fale do conceito da virtude e cite exemplos de pessoas virtuosas.

FONTE:http://www.rosangelatrajano.com.br/textos_filum.htm

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pequenos filósofos

Um de meus filhos ouviu no Discovery Channel que um dia o planeta Terra vai acabar. Dias depois, do nada, me perguntou:
– Quando a Terra acabar, Deus ainda vai existir?
Na cabeça dele a existência de Deus está relacionada à existência do ser humano. E não me pareceu que estivesse insinuando que Deus é uma invenção nossa. Talvez não visse razão para Ele continuar existindo em um mundo sem aqueles que foram criados à sua imagem e semelhança.
Pelo menos em uma questão a opinião dos menores de 12 anos é levada em consideração pelos próprios filósofos. Existe uma tendência entre as crianças em acreditar em vida após a morte. Essa tendência é objeto de discussão porque há quem acredite que a fé dos pequenos vem do que lhes é ensinado e há quem diga que eles acreditam naturalmente, mesmo que ninguém lhes fale sobre vida após a morte. Para o segundo grupo, estudar a atitude das crianças em relação à vida após a morte é uma forma de entendermos a relação do ser humano com divindades.
Aquela pergunta do meu filho tem um frescor e uma sinceridade que são impossíveis de reproduzir. Se eu tentasse provocar um filósofo com uma questão qualquer, teria dificuldade para elaborar. O que me leva a me perguntar: será que tenho vergonha de pensar livremente ou de exprimir minhas dúvidas? Será que não estou bloqueando as dúvidas sobre questões abstratas? Acho que é isso mesmo que está acontecendo. Não sou mais criança e meu estilo de vida não está deixando espaço para divagações.
Espera-se que adultos te­­nham certeza, que saibam guiar suas vidas por crenças bem enraizadas. Dá medo ter dúvidas e aí desconcentrar-se das tarefas que temos de tocar. Ou parecer perdido demais. Além do mais, podemos nos perguntar: que diferença pensar nesses temas abstratos fará na minha vida? Aliás, esta é uma pergunta para os filósofos!
Acredito na importância de pensarmos no abstrato. Mas me dou conta de que sou limitada ao formular as perguntas porque não tenho a originalidade e clareza do pensamento das crianças – que é ao mesmo tempo doce e violenta. Estou aqui tentando formular uma ou duas questões para serem respondidas por filósofos e meu exercício não está dando em nada.
Adulta ocupada e preocupada com questões muito práticas (e, admito, a maioria sem nenhuma transcendência) provavelmente faria alguma pergunta ridícula e bobinha. O inglês Anthony Gottlieb, que escreveu uma obra sobre filosofia (The Dream of Reason: A History of Phi­­losophy from the Greeks to the Renaissance), colecionou perguntas que as pessoas fazem quando têm a oportunidade de conversar com um filósofo. Ele reproduz um diálogo que teria acontecido durante uma viagem de avião e que segue o padrão típico das conversas que os discípulos de Sócrates e Platão andam en­­contrando por aí:
– Então você é filósofo?
– É, eu sou.
– Posso te fazer uma pergunta, uma pergunta filosófica?
– Pode.
– Estou gostando de um rapaz. Eu devo dizer isso a ele ou mandar um e-mail?
Até eu me sairia melhor...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Estudantes açorianos gostam de Filosofia e valorizam a disciplina

A opinião é defendida por Emanuel Oliveira Medeiros, professor da Universidade dos Açores.

Baseado num estudo da Universidade dos Açores, o professor Emanuel Oliveira Medeiros afirma que a maioria dos jovens gosta de filosofia. e que "A filosofia é importante em todas as sociedades que se queiram democráticas e livres". Assim, segundo este justifica-se plenamente a criação do curso de "Filosofia e Cultura Portuguesa" no campus de Angra do Heroísmo da academia açoriana."A criação desye curso é muito relevante na Sociedade terceirense, do mesmo modo que é noutra ilha ou zona dos Açores e de Portugal no seu conjunto, enquanto partes de um Mundo que se quer sempre mais desenvolvido, culto, democrático e livre. Mas é importante que a Filosofia seja isso mesmo, isto é, que não negue, na prática, a sua própria essência e vocação" considera Emanuel Oliveira Medeiros.
O curso é lecionado a partir do próximo ano letivo e introduz a área de humanidades em Angra, como há muito vinha sendo reivindicado pelo campus.
Eduardo Oliveira Medeiros critica a privação de filosofia nas escolas de ensino profissional, que classifica como um "erro histórico". O professor acredita, no entanto, que a maior parte dos alunos gosta de filosofia e que reconhece a sua importância.O docente defende ainda que a Filosofia da Educação deveria ser uma disciplina obrigatória em todos os cursos do ensino superior que qualificam para a docência.
http://www.jornaldiario.com/ver_noticia.php?id=25389&sec=1